William Blake

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WILLIAM BLAKE
NA FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
EM 2016, NOVEMBRO, 15 E 17

But who is William Blake after all? As we were already stepping into the twenty first century, Shirley Dent and Jason Whittaker proposed another answer to this question in Radical Blake. Influence and Afterlife from 1827 (2002):

William Blake (1757-1827), an artisan engraver, was to become known as one of the greatest visionary poets that England has produced. He was one of the few artists to be born, live and die in London, the city that shaped his imagination. The poet of the famous lyric known as ‘Jerusalem’ also engaged in mental fight against the narrow nationalisms of his day and was a political radical, whose eye crossed the international horizon in support of the American and French revolutions. Social, political and religious freedoms were interlinked in his work with those pertaining to gender roles and relations between the sexes. All of these concerns, critiques and arguments found expression in some of the most extraordinary works that have ever been produced. (3)

If “all knowledge is interpretation, a transfer of meaning from one moment of history into another that always inflects what is known with the categories and assumptions of the later moment” (Rivkin and Ryan 2004: 129), then this reception of William Blake at the turn of the twenty-first century, although contemplating the basic data for defining his identity (birth and death dates, profession, literary classification, nationality, the city shaping his work, reference to a canonical poem, political convictions and aesthetic evaluation), tells us a lot about ourselves in the last two decades, especially when we consider the selected pieces of information, as well as their order and which of them received more emphasis, i.e. their hierarchy.

On the next Tuesday 15 and Thursday 17 November, during our academic and cultural meeting Receiving │ Perceiving William Blake,link at the School of Arts and Humanities, University of Lisbon, we will certainly have the opportunity to discuss with Jason Whittaker link (School of English & Journalism, University of Lincoln) this and some other Blake(s).

Twenty years after David Mourão-Ferreira’s death, link we would like to evoke his William Blake in Portugal. A writer, translator, literary critic and poet sung link by Amália Rodrigues, link like in fado «Primavera», he was also a journalist, and a radio and TV producer and presenter who, as Professor of Portuguese and French literatures and theory of literature at FLUL, where he did his studies,link left a lasting mark on us all that, at present, more than ever during the last decades, must be remembered and celebrated musica Mourão-Ferreira’s Blake was, as stated by Alcinda Pinheiro de Sousa e João Callixto in the chapter about Portugal for the reception of this English author in Europe to be published in 2017:

 

(…) a precursor of the criticism of modern urban experience, writing ‘[…] perhaps the first poems in European poetry where the filthiness of city life, created by capitalism and the rising industrial revolution, is denounced […],’ [1] a statement that introduces the reading of ‘London’. In Mourão-Ferreira’s view, the Blakean poems further evolved into mysticism, prophecy and the great Creation myths, as demonstrated through the brief appreciation of Marriage preceding twenty-six aphorisms from ‘Proverbs of Hell’. But his Blake was also a painter and an engraver, some of whose illustrations were shown in the programme, and a musician whose poetic melody survives translation, in some cases better than in others, like in Herculano de Carvalho’s ‘O Tigre’ (‘The Tyger’), the one he chose to be enjoyed by his viewers.»

Finally, in the round table “From David Mourão-Ferreira to Blake and Music”, on Thursday 17 November, at 17.45, in Room 2.13 (FLUL), J. Callixto and A. P. Sousa will debate the musical reception of this artist in general, and in our country in particular, with Jason Whittaker, a specialist in Blake’s reception, with Teresa Martins Marques, the author of Clave de Sol – Chave de Sombra: Memória e Inquietude em David Mourão-Ferreira,link a study published in 2016, with David Ferreira,link the author of the Antena 1 radio programmes A contar e A cena do ódio and with Amélia Muge, the author of the musical adaptations of «The Echoing Green» set to the ‘Aria’ of Johann Sebastian Bach’s ‘Goldberg Variations, BWV 988’, and of another musical adaptation of a song by Blake, specifically composed for this Academic and Cultural Meeting.

[1] ‘[…] talvez os primeiros poemas da poesia europeia em que se denuncia a sordidez da vida citadina, criada pelo capitalismo e pela nascente revolução industrial […]’ (2004b, 373).

RODAPÉ

Até à realização da mesa redonda, continuaremos a propor aqui temas a incluir no debate:

• Bob Dylan face a William Blake, segundo Michael McClure, «Bob Dylan: The Poet’s Poet. http://www.rollingstone.com/music/news/bob-dylan-the-poets-poet-19740314 I had the idea that I was hallucinating, that it was William Blake’s voice coming out of the walls and I stood up and put my hands on the walls and they were vibrating», Rolling Stone (March 14, 1974)

Mas quem é afinal William Blake? Shirley Dent e Jason Whittaker propuseram, já no século XXI, em Radical Blake. Influence and Afterlife from 1827 (2002), uma resposta mais para esta pergunta:

William Blake (1757-1827), um artífice gravador, veio a ficar conhecido como um dos maiores poetas visionários que a Inglaterra produziu. Foi um dos poucos a nascer, viver e morrer em Londres, a cidade que deu forma à sua imaginação. O poeta da famosa lírica conhecida por “Jerusalem” também comprometido na luta da mente contra os nacionalismos estreitos do seu tempo era um radical político, cujo olhar atravessava o horizonte internacional em apoio às revoluções americana e francesa. As liberdades de tipo social, político e religioso estavam interligadas no seu trabalho com as referentes aos papéis determinados pelo género e às relações entre os sexos. Todas estas preocupações, críticas e argumentos encontraram expressão em alguns dos trabalhos mais extraordinários que foram alguma vez produzidos. (3)

Porque, como declaram Rivkin e Ryan (2004), a recepção dos textos literários link implica que «todo o conhecimento é interpretação, uma transferência de significado de um momento da história para outro que inflecte sempre o que é conhecido mediante as categorias e as presunções do momento posterior» (129), este é um William Blake da viragem do século XX para o XXI que, construído segundo alguns dados fundamentais para a definição da sua identidade – datas de nascimento e morte, profissão, classificação literária, nacionalidade, cidade configuradora da obra, referência a um poema canónico, convicções políticas e avaliação estética – nos diz muito sobre o contexto desta sua recepção, sobretudo consideradas as informação selecionadas, bem como a sua ordenação e a ênfase que lhes é dada, i.e., a sua hierarquização. Nos próximos dias 15 e 17 de Novembro, teremos certamente oportunidade de discutir com Jason Whittaker (School of English & Journalism, University of Lincoln), link na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), este Blake e outros.

Quando passam vinte anos sobre a morte de David Mourão-Ferreira,link play gostaríamos de evocar em Portugal o seu Blake. Escritor, tradutor e crítico de textos literários, além de poeta musica cantado por Amália Rodrigues,link por exemplo no fado «Primavera» musica Mourão-Ferreira trabalhou também como jornalista, homem da rádio e da televisão, e como Professor das literaturas portuguesa e francesa e de teoria da literatura na FLUL, onde foi aluno e professor, link deixando uma marca muito própria, a qual hoje, mais do que nunca nas últimas décadas, importa trazer à nossa memória.musica

O Blake de Mourão-Ferreira foi, como afirmam Alcinda Pinheiro de Sousa e João Callixto, no capítulo referente a Portugal para o livro sobre a recepção deste autor inglês na Europa,link a publicar em 2017:

(…) a precursor of the criticism of modern urban experience, writing ‘[…] perhaps the first poems in European poetry where the filthiness of city life, created by capitalism and the rising industrial revolution, is denounced […],’ [1] a statement that introduces the reading of ‘London’. In Mourão-Ferreira’s view, the Blakean poems further evolved into mysticism, prophecy and the great Creation myths, as demonstrated through the brief appreciation of Marriage preceding twenty-six aphorisms from ‘Proverbs of Hell’. But his Blake was also a painter and an engraver, some of whose illustrations were shown in the programme, and a musician whose poetic melody survives translation, in some cases better than in others, like in Herculano de Carvalho’s ‘O Tigre’ (‘The Tyger’), the one he chose to be enjoyed by his viewers.»

Considerado este Blake português, é sobre a faceta musical da recepção do artista, na generalidade, e no nosso país, em particular, que J. Callixto e A. P. Sousa vão falar, na mesa redonda «Partindo de David Mourão-Ferreira: Blake e Música», de 17 de Novembro, pelas 17.45, na Sala 2.13 da FLUL, com Teresa Martins Marques, autora de Clave de Sol – Chave de Sombra: Memória e Inquietude em David Mourão-Ferreira, link um estudo publicado em 2016, com David Ferreira, link autor dos programas A contar e A cena do ódio, na Antena 1, e com Amélia Muge, autora das adaptações musicais de «The Echoing Green» à ‘Aria’ de ‘Goldberg Variations, BWV 988’ de Johann Sebastian Bach, e de uma outra canção de Blake que compôs especialmente para este Encontro Académico e Cultural.

[1] ‘[…] talvez os primeiros poemas da poesia europeia em que se denuncia a sordidez da vida citadina, criada pelo capitalismo e pela nascente revolução industrial […]’ (2004b, 373).

RODAPÉ

Até à realização da mesa redonda, continuaremos a propor aqui temas a incluir no debate:

• Bob Dylan face a William Blake, segundo Michael McClure, «Bob Dylan: The Poet’s Poet. http://www.rollingstone.com/music/news/bob-dylan-the-poets-poet-19740314 I had the idea that I was hallucinating, that it was William Blake’s voice coming out of the walls and I stood up and put my hands on the walls and they were vibrating», Rolling Stone (March 14, 1974)

Alcinda Pinheiro de Sousa
ULICES – School of Arts and Humanities│University of Lisbon
CEAUL – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa