From David Mourão-Ferreira to Blake and Music

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From David Mourão-Ferreira to Blake and Music

Music, the true art of the muses, was seduced by William Blake’s composite work in the 19th Century. Between the classical universe, which produced the most well-known musical adaptation of a text by him (“And did those feet in ancient time”, by Hubert Parry, in 1916), and the popular universe, whose first reference was by the artist himself, the multiple layers of his work allow for various musical languages to get to it. An old acquaintance for Bob Dylan, influencing both the solo work of the most recent Nobel Prize for Literature as also his collaborations with Allen Ginsberg, in Portugal Blake’s work was first adapted to music in the late 1960s – and it was originally meant to be commercially released. From the 1990s onwards, a greater interest from Portuguese musicians has started and it still lives on until this day. As we will see and hear in this event!

‘I divide Blake into distinct phases, and it is in the one that corresponds to Songs of Experience that I see a contemporary man. […] Those songs, namely the ones I will adapt to music, date from that period of evolutionary crisis, mainly determined by the French Revolution of 1789. It is a period that, considering its distance in time from the present, has much in common with the world instability over these last years since 1950, and with the instability over the coming years that can already be anticipated. A man living in such a historical period has to feel, with more or less intensity, emotions similar to the ones we are feeling today. And, moreover, if that man expresses doubts, apprehensions, and presents aspects that still exist today because they constitute after all the eternal human condition, then that man is a present-day poet.’

‘Denis Manuel Vai Cantar William Blake’ (1969) Flama, Lisbon, 1136: 71.
Translation by João Carlos Callixto and Alcinda Pinheiro de Sousa.

A música, essa verdadeira arte das musas, deixou-se seduzir logo no século XIX pela obra compósita de William Blake. Entre o universo erudito, que produziu aquela que é a mais divulgada adaptação musical de um texto de sua autoria (“And did those feet in ancient time”, por Hubert Parry, em 1916), e o universo popular, cujo primeiro cultor terá sido ainda o próprio artista, as múltiplas camadas da sua obra permitiram que diversas linguagens musicais dela se abeirassem. Referência já de há muito para Bob Dylan, reflectindo-se tanto no trabalho a solo do mais recente Prémio Nobel da Literatura como também em colaborações com Allen Ginsberg, a obra de Blake conheceu a primeira adaptação musical em Portugal no final da década de 60 – e por pouco não chegava a ser editada comercialmente em disco. Dos anos 90 para cá, houve um período de maior efervescência e o interesse dos músicos nacionais pelo visionário inglês continua hoje bem vivo. Como iremos ver e ouvir neste encontro!

‘Eu separo as várias fases de Blake e é na correspondente às Songs of Experience que vejo um homem actual. […] Essas canções, mais concretamente as que vou musicar, datam desse período de crise de evolução, ditada sobretudo pela Revolução Francesa, de 1789. É um período que, respeitando a distância, tem muitos pontos de semelhança com a instabilidade destes últimos anos no mundo, a partir de 1950 e dos que já se deixam antever. Um homem situado num período destes tem de sentir, com mais ou menos intensidade, emoções parecidas com as que hoje experimentamos. E se, além disto, esse homem formula dúvidas, inquietações, e apresenta aspectos que ainda hoje existem porque são afinal o eterno humano, esse poeta é actual

‘Denis Manuel Vai Cantar William Blake’ (1969) Flama, Lisboa, 1136: 71.

João Carlos Callixto
ULICES – RTP
CEAUL – RTP