‘The five Senses, the chief inlets of Soul’. From Literature to Gastronomy

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‘The five Senses, the chief inlets of Soul’. From Literature to Gastronomy

Consider Literature. Consider Gastronomy.

The challenge of defining them, their aims and elements may be the wise starting point – but it has proven to be an ambitious work both for literature and gastronomy. How finite and particular is the nature of literature? Or is it a ‘series of infinite qualities’, ‘counter-intuitive’ (Gibson 2005) to be understood as an event rather than a static object – its singularity is an ‘event of singularizing which takes place in reception’ (Attridge 2004, 64)  link If literature entails the way to understand the human nature, life and what it imparts through self-expression, it enriches the reader by enabling him/her to reflect on that same understanding.

Gastronomy also involves discovering, researching, experiencing and understanding, as it is commonly associated to the well-known axiom ‘tell me what you eat, and I will tell you who you are’ by Jean Anthelme Brillat Savarin, the first to really define gastronomy in his tome The Physiology of Taste (La Physiologie du goût): ‘the knowledge and understanding of all that relates to man as he eats. Its purpose is to ensure the conservation of men, using the best food possible.’ In the same line of thought, to consider food studies is to reflect upon the relationships between food and the human experience link and as such they comprise the study of food and people from a variety of humanities and social science perspectives. A distinctly challenging interdisciplinary field link in subject matter – easily accessible even through publications as the journal of critical food studies Gastronomica link or Lucky Peach link – thinking, theoretical and analytical approaches link. Here we are dealing with literary readings that lead to new understandings within several fields of studies – as the untreated study of representations of food and food ways in literature, until late twentieth century.link

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Reflect on how they come to cross paths in “Receiving | Perceiving William Blake”link.

The opportunity of dialogue that is created between literature and gastronomy is here portrayed also by references and allusions in the work of Angela Carter (1940-1992). Why consider Carter, a post-modern British female writer, when we are dealing with the reception and perception of Blake? Referred to as ‘friendly enemies’, link Blake comes to her as a ‘fellow traveller from whom a few tricks might be learnt’ (Whittaker 2007, 140). Carter often asked about the nature of reality link and her unconventional views may be traced to her fascination by the myth-making and theatrical processes that dominated most of her work. To better depict what Christopher Ranger described as Blake and Carter’s response to their unfashionability – ‘a self-assured insouciance in the face of orthodoxy, be it literary, religious, political, patriarchal or, indeed feminist’ – I invite you to listen to the latter’s not so well-known short story “The Kitchen Child”,link exposing the magic of rich human cravings and delighting sensory detail through the creative imagery world of food.link

Literature echoes precisely the artistic performance of creators and through our senses we may experience the most various aspects of a whole art. In the case of William Blake, it is not a question of looking for gastronomical metaphors encoded in his work. In this provocation of reading Blake through the lens of gastronomy, food is used to portray his vision of the contraries, a search from the essence of the assertion of a will and strength over another. The primary challenge is to use a culinary grammar constructed by previous selections and preparations, and ultimate consumption. Reading the poet and visual artist in terms of a gastronomic performance is another crucial stimulus, since absolute creators of metamorphoses and illusion perceive both creations as original and complex.link Through a process of selection, renovation, and imagination, which transforms the consumer emotionally and intellectually, this challenging approach of gastro-criticism linkmirrors the relation between the creative process of art and science of cooking.

‘The five Senses, the chief inlets of Soul’. Da Literatura à Gastronomia

Considere-se a Literatura. Considere-se a Gastronomia.

O ponto de partida mais prudente passa pelo desafio de definir literatura e gastronomia, os seus objetivos e elementos, mas tem-se revelado uma tarefa ambiciosa tanto para a literatura quanto para a gastronomia. Quão finita e particular é a natureza da literatura? Ou reflecte-se numa “série de particularidades infinitas”, “contra-intuitivas” (Gibson 2005) para ser entendida como um evento e não como um objeto estático, sendo que a sua singularidade é um “evento de singularização que ocorre na recepção” (Attridge 2004 , 64) link Se a literatura implica o modo de compreender a natureza humana, a vida e o que ela transmite através da auto-expressão, enriquecerá o leitor permitindo-lhe refletir sobre esse mesmo entendimento.

A Gastronomia envolve também a descoberta, a pesquisa, a experiência e a compreensão, uma vez que é comummente associada ao conhecido axioma “diz-me o que comes, dir-te-ei quem és”, por Jean Anthelme Brillat Savarin, o primeiro a realmente definir a gastronomia no seu tomo A Fisiologia do Gosto (La Physiologie du goût): “o conhecimento e a compreensão de tudo o que se relaciona com o homem enquanto ele come. A sua finalidade é garantir a preservação da humanidade, utilizando os melhores alimentos possíveis.” Na mesma linha de pensamento, considerar os estudos sobre os alimentos é reflectir sobre as relações entre os alimentos e a experiência humana link e, neste sentido, essas relações compreendem o estudo da alimentação e das pessoas de uma diversidade de perspectivas nas humanidades e ciências sociais. Um campo interdisciplinar link claramente desafiador no que respeita ao objeto – facilmente acessível através de publicações como Gastronomica link ou Lucky Peach link – ao pensamento, e às abordagens teóricas e analíticas.link Aqui trabalham-se leituras literárias que levam a novos entendimentos dentro de vários campos de estudos – como o estudo de representações de alimentos e formas de alimentação na literatura, até o final do século XX.link

Reflita-se sobre como a literatura e a gastronomia convivem em “Receiving | Percepção de William Blake “.link

A oportunidade de diálogo que se cria entre literatura e gastronomia é aqui retratada também por referências e alusões na obra de Angela Carter (1940-1992). Porquê considerar Carter, uma escritora britânica pós-moderna, quando se pretende evidenciar a recepção e percepção de Blake? Referidos como “inimigos amigáveis”, Blake apresenta-se-lhe como um “companheiro de viagem com quem poderia aprender alguns truques” (Whittaker 2007, 140).link Carter questionou-se frequentemente sobre a natureza da realidade link e as suas visões não convencionais podem ser atribuídas ao seu fascínio pelos processos de criação de mitos que dominaram a maior parte do seu trabalho. Para melhor ilustrar o que Christopher Ranger descreveu como a resposta de Blake e Carter à sua imprevisibilidade – “uma insolência auto-assegurada face à ortodoxia, seja ela literária, religiosa, política, patriarcal ou, de facto, feminista” – ouça-se o muito ignorado conto “The Kitchen Child”,link onde se expõem a magia dos apetites da humanidade e o deleite dos detalhes sensoriais através de imagens criativas no campo da gastronomia.link

A literatura ecoa precisamente o desempenho artístico dos criadores e através dos nossos sentidos podemos experienciar os mais diversos aspectos de uma arte. No caso de William Blake, não se trata de analisar metáforas gastronómicas codificadas presentes na sua obra. Nesta provocação da leitura de Blake através da lente da gastronomia, o alimento é usado para retratar a sua visão dos contrários, uma procura da essência pela afirmação de uma vontade e força sobre outra. O principal desafio é usar uma gramática culinária construída por escolhas desde a preparação ao que usufrui. Ler este poeta e o artista visual em termos de uma performance gastronómica é outro estímulo crucial, já que criadores absolutos de metamorfoses e ilusões percebem ambas as criações como originais e complexas. link Através de um processo de seleção, renovação e imaginação, que transforma o fruidor emocional e intelectualmente, esta abordagem desafiadora da gastro-crítica link reflecte a relação entre o processo criativo da arte e ciência da culinária.

Maria José Pires
ULICES – Estoril Higher Institute for Tourism and Hotel Studies
CEAUL – Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril

 

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